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© 2018 por REBRAGEO. Contato: congeo2018@gmail.com

Ementas

Mesa 1: Sistemas políticos, representação, participação e território

Esta mesa-redonda busca trazer para o cerne da discussão a dimensão espacial do sistema político brasileiro, em um contexto de questionamento dos limites e dos potenciais da representação e da participação política. Mais especificamente, procura-se levantar debates sobre a territorialidade da representação e da participação política, e os desdobramentos em termos de sub e sobre representação do território e da população. Igualmente, a relação entre território e voto suscita análises sobre o comportamento eleitoral e sua dimensão espacial, assim como as possíveis conexões entre representante e reduto eleitoral. Por conseguinte, análises acerca da concentração ou dispersão de votos são temas sempre instigantes, assim como os aspectos que influenciam na decisão do eleitor.  Ademais, questionam-se os potenciais de espaços políticos que estão para além dos espaços institucionalizados e dos escrutínios eleitorais - ruas, praças, escolas -, e que avivam a força instituinte da sociedade.

 

Mesa 2: Conflitos e segurança no mundo contemporâneo

Os conflitos internacionais tem sido objeto da geografia política desde suas origens. Para além da Geografia, os estudos sobre o tema se desenvolveram ao longo do século XX a partir de enfoques de diferentes disciplinas, que contribuíram para a complexificação de teorias e conceitos, sem, no entanto, explorarem a dimensão espacial dos conflitos. Paralelamente às tradicionais guerras interestatais, ainda ativas, o pós-Guerra Fria evidencia uma variedade de situações de conflito não-convencionais - intervenções militares, operações de paz, ataques terroristas, violência criminal, grupos armados subnacionais, ação de drones, entre outros -  que atravessam fronteiras e desafiam os territórios estatais em sua forma tradicional. Partindo dessa constatação, existe um campo fértil para as abordagens espaciais sobre os conflitos e segurança em diferentes escalas, que fomentam o diálogo entre os geógrafos políticos e os pesquisadores de outras disciplinas.

 

Mesa 3: Novas sustentabilidades político-ambientais e ordenamento territorial

Diversas são as ferramentas conceituais mobilizadas para se analisar uma ação política no território: ordenamento, gestão, governança, zoneamento, dentre outras. O debate sobre os atributos desses conceitos busca qualificar as modalidades da ação político-territorial - seus arranjos, composições e configurações. Um desafio central colocado é a incorporação da dimensão ambiental, o papel do uso e apropriação da natureza nos projetos de desenvolvimento econômico e social. Esse debate esteve centralizado, nas últimas décadas, nas ideias de “sustentabilidade” e “desenvolvimento sustentável” como princípios orientadores. Esses conceitos-slogans invadiram todos os domínios discursivos e práticos, desde o mundo corporativo até os movimentos sociais, bem como, orientaram as políticas estatais de ordenamento territorial com justificativas de preservação e conservação ambiental. Contudo, o uso indiscriminado desses termos levou a uma banalização conceitual e política, colocando a necessidade de uma superação do debate. Para avançarmos nessa reflexão, temos como desafio a necessidade de uma renovação epistêmica e política do debate contemporâneo, que sugere nos perguntarmos: Quais são os novos termos e conceitos que emergem no debate político-ambiental contemporâneos? Que escalas e que atores estão sendo mobilizados para responder aos riscos e conflitos ambientais? De que maneira a natureza é politizada em diferentes contextos? As diferentes respostas possíveis apontam para uma pluralidade de abordagens acerca do saber técnico-científico, dos conhecimentos populares e tradicionais e dos interesses e ações políticas em interação e em conflito. 

 

Mesa 4: Geopolítica, conhecimento e poder

As geopolíticas contemporâneas contribuíram com um olhar renovado que supera tanto o uso instrumental do pensamento geopolítico a serviço dos Estados quanto a negação da geopolítica como saber menor. Essa atitude explora o binômio como conhecimento e poder, relacionando aqui dois termos consagrados pela abordagem foucaultiana. Conhecimento e poder também foram termos apropriados e desenvolvidos pelos geógrafos e cientistas sociais através de diferentes contribuições, como a critical geopolitics, os estudos pós-coloniais e decoloniais, as teorias feministas, dentre outras. Algumas perguntas passaram a ganhar destaque: qual é o papel do Estado (e dos poderes) na conformação dos conhecimentos sobre o espaço? Quais as condicionantes geopolíticas da produção e da validação dos conhecimentos? De que maneira existem estratégias geopolíticas de construção de espaços alternativos de produção de conhecimento, que articulam disputas por território e por modos de pensar e conhecer? No Brasil, a chegada desse debate no âmbito da geografia política e da geopolítica é bem vinda, pois tal campo ainda se encontra distanciado tanto dos aportes críticos da renovada geopolítica quanto da virada decolonial.